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Glitter, bebida e sol forte: o risco invisível que acompanha os blocos de Carnaval

Glitter, bebida e sol forte: o risco invisível que acompanha os blocos de Carnaval

Por: Nova Sudeste Fonte: Paulo Novais Assessoria de Imprensa

No Rio de Janeiro, Prefeitura distribui protetor solar em megablocos, mas especialista reforça que aplicação correta e reaplicação são essenciais

O Carnaval de rua leva milhões de pessoas às ruas sob altas temperaturas e longos períodos de exposição solar. Em meio a fantasias, glitter e bebida, um item básico de saúde costuma ser esquecido: o protetor solar.

O alerta é reforçado por especialistas diante dos números mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que estimam 263 mil novos casos de câncer de pele não melanoma por ano no Brasil, o tipo mais frequente no país. Considerando todos os tumores, a projeção é de 781 mil novos casos anuais no triênio 2026-2028.

Para o dermatologista Dr. Matheus Rocha, que atua no diagnóstico e tratamento cirúrgico do câncer de pele, o comportamento típico do folião aumenta o risco.

“No Carnaval a gente lembra da fantasia, do glitter, da bebida… mas às vezes esquece de algo essencial: o protetor solar. A pele fica horas sob radiação ultravioleta intensa, e essa radiação provoca mutações que podem evoluir para câncer. A proteção precisa ser constante, generosa e planejada”, afirma.

No Rio de Janeiro, onde os termômetros costumam ultrapassar os 36 °C durante o período, a combinação de calor extremo, suor e consumo de álcool contribui para que a reaplicação do produto seja negligenciada.

Prefeitura distribui protetor em megablocos

Neste ano, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio intensificou ações preventivas durante os megablocos. Agentes posicionados próximos aos trios elétricos distribuíram protetor solar aos foliões, chamando a atenção em meio à festa e reforçando orientações sobre hidratação e cuidados com o sol.

A iniciativa foi recebida com bom humor por quem estava na rua, mas especialistas destacam que a responsabilidade individual continua sendo determinante.

Segundo o Dr. Matheus Rocha, o uso correto faz diferença.

“O ideal é usar protetor solar com FPS 50 ou superior, de amplo espectro. Ele deve ser aplicado 15 a 30 minutos antes da exposição e reaplicado a cada duas horas, ou antes disso, se houver suor excessivo. Uma única aplicação não protege o dia inteiro.”

Por que o risco aumenta no Carnaval

A exposição solar intensa e repetida é o principal fator de risco para o câncer de pele. A radiação ultravioleta danifica o DNA das células cutâneas e pode desencadear alterações que, ao longo do tempo, evoluem para tumores.

Quando diagnosticado precocemente, o câncer de pele tem altas taxas de cura. Mas o atraso no reconhecimento de lesões pode exigir cirurgias maiores e procedimentos reconstrutivos.

“Muitas vezes o paciente ignora uma mancha ou ferida que não cicatriza. A exposição acumulada ao longo da vida cobra seu preço. Carnaval é um período de excesso, e isso inclui excesso de sol”, diz o médico.

Como se proteger nos blocos

Especialistas recomendam:

  • usar protetor solar com FPS 50 ou superior, de amplo espectro;

  • aplicar o produto 15 a 30 minutos antes da exposição;

  • reaplicar a cada duas horas, mesmo em dias nublados;

  • usar chapéus, bonés e óculos escuros;

  • priorizar áreas com sombra, especialmente entre 10h e 16h;

  • manter hidratação constante com água.

O Dr. Matheus reforça que a prevenção não deve ser sazonal.

“A pele é o maior órgão do corpo. Proteger-se não deve ser uma preocupação apenas no Carnaval ou na praia. A proteção diária é o que realmente reduz o impacto do câncer de pele na população.”

Sobre o especialista
Matheus Rocha é dermatologista com atuação em cirurgia dermatológica e tratamento do câncer de pele. A trajetória na medicina inclui foco em doenças de pele e atenção a fatores sociais que interferem no acesso ao diagnóstico. Também atua na formação de médicos para reconhecimento e manejo de tumores cutâneos.

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